Histórico do desenvolvimento da ACV

É interessante para uma revisão bibliográfica da técnica, informação de como ela foi se desenvolvendo até os dias atuais e quais contextos mundiais motivaram sua criação e crescimento.

Muitas referências possuem um capítulo específico para apresentar a evolução histórica da ACV; a descrição que se segue foi baseada nas seguintes bibliografias: Curran (1996), Fava et al. (1991), Vigon et al. (1993) e Wenzel; Hauschild; Alting (1997).

Segundo Fava et al.(1991), uma das primeiras publicações sobre um estudo semelhante ao que hoje conhecemos como Análise de Ciclo de Vida foi apresentada por Harold Smith na World Energy Conference em 1963. Neste trabalho foi reportado o cálculo de energia cumulativa requerida para a produção de intermediários e produtos químicos.

No final dos anos 60, o resultado de trabalhos objetivando predizer as mudanças da população e como estas mudanças afetariam a demanda de recursos naturais (material e energético), foi publicado no Meadows' Book e no Blueprint for Survivor (Clube de Roma). O aumento da demanda de recursos naturais levaria ao esgotamento em algumas décadas.

Vigon et al. (1993) afirmam que em 1969 foi conduzida a primeira análise de inventário de ciclo de vida, pouco mais tarde denominada Resource and Environmental Profile Analysis (REPA). Realizado pelo Midwest Research Institute, analisou diferentes recipientes de bebidas para a Coca Cola Company, objetivando encontrar a resposta para a pergunta "Qual recipiente tem o menor lançamento de rejeitos no ambiente e menos afeta as reservas de recursos naturais?". Diferentemente dos estudos anteriores que só analisavam o recurso energético, este estudo quantificava também as matérias-primas e a carga ambiental do processo de manufatura de cada tipo de recipiente. Semelhante ao REPA, foi desenvolvido o Ecobalance na Europa.

Com a crise do petróleo na década de 70, a avaliação do consumo energético tornou-se uma necessidade e estudos focalizando o ciclo de combustíveis e energias alternativas foram realizados. Nesta época havia ainda pouco conhecimento sobre a toxicidade e potencialidade de impacto ambiental das substâncias emitidas nos processo, além de falta de informações disponíveis pelas empresas dentro do ciclo de vida avaliado. Com essa complexidade, nos anos subseqüentes a técnica caiu no esquecimento, sendo somente utilizada por alguns grupos como o Franklin Associates.

Segundo Curran (1996), Fava et al. (1991) e Vigon et al. (1993), nos anos 80, com o crescimento da produção de lixo doméstico, principalmente das embalagens e desperdícios de alimentos e incentivado pelo Green Movement na Europa a ACV foi ressuscitada e incrementada com os novos conhecimentos ambientais e tecnológicos, ganhando importância em avaliações de impacto ambiental de embalagens. Nessa época a Comissão Européia criou o Diretório Ambiental (DG X1) e em 1985 o Liquid Food Container Directive que obrigava as empresas a monitorar o consumo de recursos naturais e geração de resíduos no processo. Conforme Wenzel; Hauschild; Alting (1997) muitos estudos foram realizados (ACV como uma técnica de análise de problemas ambientais) incluindo a reciclagem, mas com resultados discordantes devido a diferentes bases de dados e inexistência de uma metodologia generalizada, levantando a necessidade de padronização da técnica.

Na década de 90 surgiram movimentos para padronização internacional da análise de ciclo de vida. Cita-se o workshop promovido pelo SETAC em 1990 (metodologia do inventário do ciclo de vida).

Em 1997 é editada a primeira norma da ISO da família 14040. No Brasil a tradução é lançada em novembro de 2001.As indústrias passaram a investir em ACV movidas pela busca de selos ambientais, considerando a ACV como uma ferramenta na gestão empresarial.

As normas IS0 que estão relacionadas com a ACV são:

  • ABNT NBR ISO 14040:2009
    Gestão ambiental - Avaliação do ciclo de vida - Princípios e estrutur
  • ABNT NBR ISO 14044:2009
    Gestão ambiental - Avaliação do ciclo de vida - Requisitos e orientações

A normas ABNT NBR ISO 14041:2004 / ABNT NBR ISO 14042:2004 / ABNT NBR ISO 14043:2005 estão canceladas.